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Zélia
Duncan - Na Estrada...
Texto: Silvia Tibério
Foto: Arquivo Pessoal Zélia Duncan |
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Niterói, 28 de outubro de 1964 - a jovem senhora Loïse dá à luz, pela 3ª vez, aquela que mais tarde seria o "outro" orgulho da família. Nasce então Zélia Cristina Gonçalves Moreira. Escorpiana da mais alta qualidade - sensível, cheia de paixão, ciumenta ao extremo, fiel a tudo e a todos, porém desconfiada... Sua determinação é característica forte, pois quando assim se sente, saiam da frente! Zélia, com toda sua doçura, é também uma fortaleza. Filha de funcionários públicos, irmã de Afonso César, Luiz Otávio e Helena, Zélia viveu em Niterói até os seis anos, quando então mudou-se com a família para Brasília. A música sempre esteve presente na sua vida. Ainda muito pequena, Zélia ficava escondida num canto da sala, ouvindo as serestas promovidas por seus pais. Com dez anos de idade, interessou-se pelo basquetebol, uma paixão que cultivou até os dezesseis anos. Nessa época, Zélia e seu inseparável violão animavam as viagens com o time. A opção definitiva pela música veio quando a data de um campeonato coincidiu com a de um festival. Para nossa felicidade, ela escolheu o festival e, daí em diante, nunca mais parou. Hortência e Paula também agradecem! Aos doze anos, Zélia surpreendeu sua mãe com uma gravação caseira da canção "Tatuagem", de Chico Buarque. Zélia já demonstrava os primeiros indícios da grande intérprete que se tornaria. Quatro anos mais tarde, em maio de 1981, já convencida de que seu destino era cantar, Zélia enviou uma fita à Sala Funarte que, na época, concedia espaço, através de concursos, para apresentação de novos artistas. Ela foi classificada em primeiro lugar e apresentou um show que teve grande repercussão e é considerado o marco inicial de sua carreira! Ainda lhe rendeu a oportunidade de representar Brasília no "Projeto Pixinguinha", cantando ao lado de nomes consagrados como Wagner Tiso e Cida Moreyra. Era a primeira vez que Zélia saía para cantar fora do seu "ninho". Logo depois surgiram vários convites para cantar na noite, porém ainda era menor de idade e sua mãe sempre a acompanhava nas apresentações. Aliás, Loïse, dona de uma belíssima voz, sempre foi sua maior incentivadora e fã número 1. |
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Texto: Silvia Tibério
Foto: Divulgação Zélia Duncan |
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Em 1987, Zélia volta para o Rio de Janeiro, onde passou a dividir o seu tempo como locutora de rádio, fazendo jingles e cursando teatro na Casa das Artes das Laranjeiras. Paralelamente, montou sua primeira apresentação no Rio e descobriu o prazer de cantar em inglês. Dois anos depois, no final de 1989 foi montado "Zélia Cristina no Caos", um show dirigido por Ticiana Studart, no qual surgiu o convite do Estúdio Eldorado para gravar seu primeiro disco: "Outra Luz". Deste trabalho, Zélia guarda poucas lembranças boas, como a gravação de uma faixa com Luiz Melodia e duas indicações ao Prêmio Sharp - REVELAÇÃO e MELHOR CANTORA POP/ROCK. O disco proporcionou a Zélia a oportunidade de se apresentar nas principais capitais brasileiras e participar de vários programas de TV. Contudo, Zélia sentia que faltava alguma coisa em seu trabalho e que ainda não havia encontrado o seu lugar. Foi então que, em 1991, a convite de Marcus Teixeira e Patrícia Lopes, um casal de músicos que conheceu em Brasília, ela partiu para os Emirados Árabes para cumprir um contrato de três meses, que acabaram se prolongando para cinco. Lá, Zélia se apresentava na Casa Brasil, dentro do Hotel Meridien. Seu público era constituído por gente de todo o mundo, principalmente árabes, europeus e australianos. Essa viagem foi, segundo a cantora, fundamental para deixar fluir sua veia de compositora. Durante essa viagem, Zélia escutou muita música oriental e músicos como Joni Mitchell, Joan Armatrading, Sam Cooke, Ry Cooder e Peter Gabriel, importantes influências em seu estilo. Nesse período escreveu também muitas letras que enviou para seus parceiros aqui no Brasil e que mais tarde se tornariam o repertório do seu segundo disco. |
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Brasil, maio de 1992 - Zélia retoma seu trabalho, agora com um som mais acústico e menos metal. Na bagagem, inúmeras composições próprias, fruto de suas vivências, ora feliz, ora solitária, ora saudosa, ora reflexiva... Montou banda, botou o pé na estrada e fez uma temporada na boate Torre de Babel. Foi tão bem sucedida que acabou recebendo do produtor Guto Graça Mello, o convite, mesmo que sem compromisso, para fazer algumas gravações em seu estúdio. Logo após, convidada por Almir Chediak e acompanhada por Marco Pereira, no Estúdio Sinth, Zélia gravou "Sábado em Copacabana", uma das faixas do songbook de Dorival Caymmi. Foi durante essa gravação que recebeu o convite da produtora, atualmente sua sócia e empresária, Beth Araújo, para gravar, pela Warner, seu segundo disco. O disco "Zélia Duncan" foi lançado no final de 94, quando então começamos a ouvir nas rádios aquela voz forte que dizia sobre "um tal apartamento perdido na cidade" e todas as pessoas de bom gosto perguntavam: quem está cantando? que voz maravilhosa é essa? A maioria das faixas foi composta em parceria com o amigo Christiaan Oyens, que também tocou bateria, bandolim e violão. Zélia Cristina passou a chamar-se Zélia Duncan por sugestão de Beto Boaventura, presidente da Warner, e isto lhe deu a oportunidade de homenagear sua avó materna , por quem Zélia tem verdadeira adoração. |
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